domingo, 3 de maio de 2026

Vizinha relata dor de sobrevivente de tragédia em Dois Unidos

 

Resgate de vítimas de deslizamento em Dois Unidos (Reprodução/redes sociais)

“Ele está bem fisicamente, mas está devastado. Não quer ir ao enterro, não quer ver a família no caixão”, relata a manicure Maria Angélica Pereira, de 30 anos. Moradora de Dois Unidos, na Zona Norte do Recife, ela era vizinha de Jaqueline Soares da Silva, 24 anos que faleceu na sexta-feira (1º) após uma barreira cair sobre a sua casa.

Maria Angélica se refere ao ajudante de pedreiro José Rodrigues da Silva Barbosa, 30, marido de Jaqueline e que foi retirado debaixo de uma das paredes de casa, gritando para que encontrassem sua esposa e seus filhos, de 7 e 1 ano e seis meses - que também faleceram na tragédia.

“Os vizinhos escutaram um estrondo muito grande, pensavam que era trovão. Mas daqui a pouco passou a família dela gritando, pedindo ajuda. Todo mundo saiu correndo para socorrer”, relembra a manicure.

De acordo com ela, mesmo machucado após ser retirado, José foi quem orientou o resgate, instruindo sobre a posição da esposa e dos filhos. Ela conta que ele tentou se levantar e ajudar nas buscas, mas não conseguia por conta dos ferimentos no tornozelo e nos pés. “Ele ficava só chorando e dizendo para socorrer, dizia onde a esposa e o filho estavam, que ela estava na porta quando a casa caiu e o menino estava no quarto”, diz ela.

A bebê foi a primeira a ser resgatada e levada às pressas ao Hospital da Restauração, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu na manhã deste sábado (2). O menino foi retirado pouco tempo depois. A mãe, relata Angélica, passou mais de duas horas sob o barro antes de ser retirada. Ambos sem vida.

Segundo ela, nesta manhã, dois psicólogos contaram a José que sua filha havia morrido. “Ele disse que não vai ao velório porque não tem coragem de ver os três dentro de um caixão. Ele está devastado”, diz a manicure. O local e o horário, no entanto, ainda não foram definidos porque os familiares aguardam a chegada do corpo da bebê na funerária.

“Estamos na peleja pedindo roupa, calçado, cueca, camisa, bermuda. Ele está sem nada. Ele vai precisar de muita ajuda, ajuda psicológica, todo tipo de ajuda, porque ele está devastado”, conta.

Quem eram

Angélica conta que Jaqueline era uma dona de casa dedicada aos filhos. “Ela era muito caseira. Depois que casou, vivia para os filhos e para o esposo. Ele também só saía para trabalhar e, quando saía de lazer, ia com eles para a igreja", conta.

"A gente não tem o que falar dela, era uma pessoa muito boa”. A vizinha relata que a comunidade está em estado de choque, pois o casal era visto diariamente circulando pelo bairro com as crianças. Diário de PE

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